segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O que eu queria te dizer mesmo é que você precisa ter um pouco de paciência. Sobretudo com o meu silêncio. Sobretudo porque eu mesma não sei o que fazer dele. Acredite, ele me desespera.

Só não fique pensando que eu não tenho nada a te dizer.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

I get by with a little help from my friends



É, é verdade. Não existe nada mais importante na vida do que os amigos.

Hoje só tenho a agradecer às meninas lindas que me deram uma demonstração de carinho e companheirismo quando eu menos esperava.

Meu muito obrigada.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Descobri (ou relembrei?) que é preciso não negar a dor, a tristeza, o mau humor, a amargura. Sob o risco de a gente se tornar tão vazia e falsa quanto um livro de auto-ajuda.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

O verdadeiro sentimento da beleza só me vem com o amor.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

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NÃO SE MATE

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, pra quê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.

Carlos Drummond de Andrade

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sexta-feira, 27 de março de 2009

No fio das palavras de Mia Couto

"Quando ele me dirigiu palavra, nesse primeiríssimo dia, dei conta de que, até então, nunca eu tinha falado com ninguém. O que havia feito era comerciar palavra, em negoceio de sentimento. Falar é outra coisa, vos digo. Dessa vez, com esse homem, na palavra eu me divinizei. Como perfume em que perdesse minha própria aparência. Me solvia na fala, insubstanciada."

O fio das missangas

Poético. Sensível. Certeiro.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

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DESTRUIÇÃO

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada. Ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir, mas o existido
continua a doer eternamente.

Carlos Drummond de Andrade